segunda-feira, 29 de agosto de 2016

São Bartolomeu de Maragogipe: 366 anos de história e fé


Por Zevaldo Luiz Rodrigues de Sousa

Neste Ano Jubilar da Divina Misericórdia refletimos durante o novenário de São Bartolomeu de Maragogipe sobre tema importantíssimo e que na maioria das vezes, nos esquecemos. Poucas pessoas são misericordiosas como o Pai e por este motivo, há necessidade de reflexões. Foram nove noites motivadas pela Misericórdia Divina e nelas, aprendemos mais uma vez, que atitudes simples e cotidianas transformam vidas. Dar de comer aos famintos, Dar de beber aos sedentos, Vestir os nus, Acolher os peregrinos, Assistir aos enfermos, Visitar os presos, Enterrar os mortos, Aconselhar aos indecisos e Consolar os aflitos são motivações e atitudes cristãs que devemos ter ao longo de nossa vida sem a necessidade de pedir nada em troca. Fazer o bem sem olhar a quem!

Hoje, dia 27 de agosto de 2016, gostaria de deixar esta simples mensagem visando a construção de uma identidade religiosa e popular.


A Igreja de São Bartolomeu de Maragogipe tem história tricentenária que merece destaque. Para comprovar tal afirmação, viajo na história trazendo à luz desta mensagem a opinião do mestre Dr. Odilardo Uzeda Rodrigues, meu avô, que proferiu palestra no Cine Lourdes, em 28 de novembro de 1950, na sessão de homenagem a D. Augusto, para encerramento das festas tricentenárias da Igreja Matriz. Vale lembrar que naquele ano, Maragogipe comemorou o primeiro centenário de sua elevação à categoria atual, com a denominação de Patriótica Cidade, e em 12 de setembro deveria ter comemorado o tricentenário de inauguração da sua Matriz, o que entretanto, veio a fazê-lo no mês de novembro. As festividades comemorativas do terceiro século de existência da Casa do Senhor, erigida nesta terra abençoada, sob a invocação do Glorioso Apóstolo, teve a figura exemplar do Padre Florisvaldo José de Souza como líder da Comissão diretora e foi uma festa espetacular. Ressaltamos que, em 1989* foi substituída as comissões de festas do padroeiro, eleitas anualmente, que haviam sido incorporadas a Mesa Administrativa desde 1912, por uma Comissão de Festas escolhida pelos membros da Igreja de São Bartolomeu com o intuito de evitar conflitos que ocorriam por causa das eleições.

Mas aqui, cabe perguntar, quando São Bartolomeu tornou-se o padroeiro desta maravilhosa terra? Há diversas interpretações, mas não vamos nos prolongar. A história religiosa indica que os moradores desta terra tinham como principal protetor - São Gonçalo -, e após uma aparição de um homem alto, todo ensanguentado com uma adaga na mão sobre uma pedra no meio de uma pequena floresta para um escravo no período colonial fez surgir um sentimento novo na Fazenda do Capitão Bartolomeu Gatto que já era devoto de deste Apóstolo de Cristo e indicou para a comunidade que aquela aparição era uma manifestação Divina o que acabou por convencer a maioria da população e ao Rei de Portugal que os habitantes deste lugar deveriam construir este magnífico templo dedicado a São Bartolomeu.

Historiadores indicam que a construção teve início por volta do ano de 1640, mas dúvidas ainda pairam em torno da data de sua inauguração. Todavia, no testamento do Capitão Bartolomeu Gatto datado de 16 de dezembro de 1650 e revogado por novas disposições em 20 de outubro de 1651 faz referência a Igreja Matriz. Na época, o Padre Paulo de Sam Payo assina o referido documento como uma das testemunhas o que pode ser indício de que a Igreja Matriz de São Bartolomeu recentemente construída já estava em funcionamento. Por este motivo, aceitamos a ideia de que neste ano de 2016, Maragogipe comemorará no dia 12 de setembro, o 366º aniversário da Igreja Matriz de São Bartolomeu (sem contar os anos de debate e construção), data esta que deve ser comemorada todos os anos.

É claro que a Igreja de São Bartolomeu de Maragogipe sofreu inúmeros reparos ao longo do tempo, sendo ampliada, para que pudesse suportar galhardamente a ação iconoclasta do tempo e continuasse a ser o sacrário bendito onde a alma maragogipana pudesse se abeberar do consolo necessário para suas dores sob seu teto abençoado. Na leitura de documentos históricos verificamos que dos orçamentos da Província da Bahia nos anos de 1845, 53, 59, 81 e 88, consta a consignação de verbas nos valores para obras na Matriz de São Bartolomeu. Em 1941, sob os auspícios da comunidade e orientação do SPHAN foi renovada a pintura do forro da Igreja de São Bartolomeu de Maragogipe. Neste mesmo ano, a SPHAN tombou a Igreja de São Bartolomeu de Maragogipe, sob o nº 155 do livro de História, fl. 26, e sob o nº 296 do livro de Belas Artes, fl. 51. Ao longo do tempo, outras obras foram realizadas e até hoje, a beleza deste magnífico e glorioso Templo necessita de reparos constantes. A dificuldade é grande, mas com a ajuda da comunidade católica cristã o grandioso Templo de São Bartolomeu de Maragogipe se mantém firme e é destaque Arquitetônico Brasileiro. Preservar este Templo e cuidar para que a história deste Patrimônio não perca sua identidade, é dever de toda a comunidade católica maragogipana, priorizando também as características religiosas da Festa de São Bartolomeu.

Falando em Festa de São Bartolomeu – outro patrimônio histórico, cultural e religioso do povo maragogipano que precisa ser preservado e imaterializado, por ser parte da cultura popular sacra e profana da comunidade maragogipana, poucos são os dados encontrados da data de início da Festa de São Bartolomeu que tem sua história narrada, principalmente, por Fernanda Reis dos Santos, historiadora e amante da nossa rica história. Mas o pouco que sabemos é visto e sentido pela comunidade maragogipana ao longo do mês de agosto, nosso mês Maior.

A cultura popular e religiosa maragogipana nos lega sentimentos especiais. O pregão avisa a comunidade maragogipana em julho que o mês de agosto se aproxima. No primeiro domingo de agosto, o Bando Anunciador percorre as principais ruas da cidade distribuindo o programa da festa religiosa, e neste dia, cavaleiros e amazonas desfilam pela cidade com a participação especial da comissão de festas, filarmônicas, autoridades e toda a comunidade maragogipana envolvida com as festividades. Antigamente, o Bando anunciava para os habitantes das cidades e vilas próximas que no mês de agosto aconteceria a grandiosíssima Festa de São Bartolomeu.


No segundo domingo, acontece à purificação das almas através da secular Lavagem do Templo remontando o mutirão realizado no ano da inauguração da Igreja Matriz. O novenário de São Bartolomeu acontece sempre com muita fé e energias positivas para a comunidade cristã acompanhada da melodia glorificante do Coro e Orquestra Maria Imaculada Conceição.


No terceiro domingo, em uma festividade que marca o sagrado e o profano, num ato ecumênico, acontece a Lavagem Popular das ruas de São Bartolomeu.


O dia 24 de agosto é espetacular. Dia do Excelso e Insígne Padroeiro de Maragogipe – São Bartolomeu. Nele, renovamos sentimentos e a esperança da construção de uma sociedade mais justa, mais humana e mais misericordiosa, sem a necessidade de perseguições e devaneios de suas lideranças. O quarto e último domingo é o momento ímpar especial para toda comunidade cristã, nela celebramos o Domingo da Festa com Solene Concelebração Eucarística. Na Segunda da Festa, uma imponente Procissão percorre as principais ruas maragogipanas demonstrando a fé, o amor e a confiança que a comunidade cristã católica maragogipana tem com São Bartolomeu e Nossa Senhora da Conceição.

Para descrever cada detalhe da Igreja e da Festa de São Bartolomeu é imprescindível a produção de livro, mídia ou preservação da farta documentação existente e espalhada pelo mundo em um Arquivo Histórico. Diversos autores já se debruçaram nesta tarefa maravilhosa – Osvaldo Sá, Fernando Sá, Odilardo Rodrigues, Ronaldo Souza dentre tantos outros que deixaram marcas indeléveis de fé sem deixar de lado a questão histórica e racional. Hoje, vivemos incomodados com a falta de documentação histórica apesar de tantas produções. A comunidade maragogipana precisa ajudar neste processo de resgate histórico e religioso, principalmente, relatando suas histórias, memórias e relações de crença e fé na intercessão de São Bartolomeu. A musicalidade da Festa merece destaque especial com a produção de mídia e a história precisa ser contada nas escolas para que nossos jovens conheçam sua história para aprender a preservá-la.

Que São Bartolomeu interceda por toda a comunidade maragogipana para que os cidadãos de bem desta terra saibam escolher pessoas compromissadas com este Patrimônio, que merece ser Patrimônio da Humanidade.

Por Zevaldo Luiz Rodrigues de Sousa
Licenciado em História pela UFRB


*Obs.: Data alterada devido a erro histórico. No documento original constava 1995, mas o fato aconteceu em 1989.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Dia 19 de agosto é comemorado o Dia do Historiador


19 de Agosto: Parabéns!

"No dia 19 de agosto é comemorado o Dia do Historiador. Data é uma homenagem a Joaquim Nabuco, importante intelectual brasileiro No dia 19 de agosto é comemorado o Dia do Historiador. Data remete ao dia do nascimento de Joaquim Nabuco, um importante advogado, político, escritor, importante nome da abolição da escravatura no país e, também, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Hoje em dia, grande parte dos historiadores está nas salas de aula, desempenhando a carreira de professor. A profissão de docente, como sabemos, é uma das profissões que exercem papel primordial para uma sociedade, pois graças ao ensino as pessoas têm a oportunidade de crescerem tanto intelectualmente quanto financeiramente.

Em dezembro de 2009, foi aprovada a lei que institui o Dia Nacional do Historiador. A lei tem origem em um projeto de lei do senador Cristovam Buarque, elaborado em 2007 e identificado como PLS 570/2007. Aprovado no Senado em setembro de 2008, o projeto passou a tramitar na Câmara dos Deputados, transformando-se no PL 4102/2008.

Conforme o projeto original, a data seria comemorada em 12 de setembro. Contudo, ao receber a emenda do senador Augusto Botelho, a data foi alterada para 19 de agosto, dia de nascimento de Joaquim Nabuco.

No parecer Augusto Botelho destacou: “A disciplina científica da História, ao explorar e tentar explicar acontecimentos pretéritos fornece, ao mesmo tempo, elementos fundamentais para a projeção do futuro. E ao se colocar a serviço dessa tarefa, o historiador assume um papel social tão relevante quanto anônimo. [...] a criação de um dia dedicado ao historiador vem resgatar, em parte, o papel social e político desse profissional. Entretanto, a data proposta não está vinculada a nenhum fato significativo no que diz respeito a algum ilustre historiador brasileiro. Por esse motivo, sugerimos que a data faça referência à data de nascimento de Joaquim Nabuco, historiador, diplomata e jurista brasileiro, o dia 19 de agosto de 1849. A escolha de seu nome, além de uma homenagem a todos os historiadores brasileiros, é também uma reverência à luta de Nabuco contra a escravidão. A data, coincidindo ainda com o período letivo, poderá ser uma oportunidade para os estudantes brasileiros refletirem sobre as profundas raízes da desigualdade na sociedade brasileira.”"

FONTE: http://www.universitario.com.br/noticias/n.php?i=17917

terça-feira, 17 de maio de 2016

Pesquisa da UFRB encontra cartas de alforria em cartório de Santo Antônio de Jesus


Estudantes do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica do Ensino Médio (PIBIC EM 2015/2016) e estudantes de iniciação científica voluntários obtiveram sucesso na busca de cartas de alforria e documentos de posse de uma pessoa sobre a outra no cartório da cidade de Santo Antônio de Jesus na Bahia, 1ª Vara de Feitos de Relações de Consumo Cível e Comerciais. A equipe é coordenada pelo professor Júlio César dos Santos do Centro de Ciências da Saúde (CCS).

“Consideramos a carta de alforria como símbolo de libertação. A carta marca o êxito dos conflitos e negociações entre escravos e senhores. A posição do senhor ao libertar o escravo do seu domínio marca uma nova direção de vida para ambos. O documento em si é rico de detalhes psíquicos, linguísticos e situacionais da trajetória de vida entre senhor e afrodescentes/africanos”, declara o professor Júlio César.

Ele explica ainda que o interesse por cartas de alforria e declaração de posse de uma pessoa sobre a outra se desenvolveu na pesquisa de campo do seu doutorado, na localidade do Quilombo Alto do Morro, com o título "A produção de sentidos intergeracional do planejamento familiar". "Alguns participantes da pesquisa não se identificavam nas narrativas com a resistência negra nos quilombos. Mesmo assim, descobrimos em suas narrativas, marcas intergeracionais da trajetória de vida de comunidades quilombolas na sociedade escravocrata. Pesquisamos pessoas no quilombo e fora do quilombo. Decidimos analisar os participantes no Quilombo Alto do Morro, devido ao volume de experiências/informações. Após a defesa de tese, continuamos com as análises dos participantes fora do quilombo. Interessante observar que as famílias dos participantes negros fora do Quilombo também não narraram episódios diretamente da resistência negra à escravidão. Assim cresceu a curiosidade de entender o porquê na Bahia, com mais de 53% do total de afrodescendentes do Brasil, encontramos cidades com mais de 90% da população negra sem uma referência ao período escravocrata”, destaca o professor.

Dando continuidade à pesquisa, o professor coordena o projeto “análise dialógica temática microgenética em narrativas intergeracionais”. Estudantes, técnicos e outros pesquisadores que queiram se integrar a pesquisa e ter acesso a mais informações, entrar em contato com pesquisador pelo email: juliocesar@ufrb.edu.br".

Assessoria de Comunicação
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

domingo, 8 de maio de 2016

Falta de recursos ameaça Parque Nacional da Serra da Capivara

Patrimônio Mundial da Unesco, o Parque Nacional da Serra da Capivara está ameaçado pela falta de recursos, segundo a diretora-presidente Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), Niède Guidon. “O dinheiro termina em dois meses. É uma situação difícil, que eu não sei mais o que fazer”, disse.

O Parque Nacional da Serra da Capivara é Patrimônio Mundial da Unesco pela importância dos registros rupestres encontrados no local (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Criada em 1979, a unidade de conservação arqueológica, localizada ao sudeste do Piauí, reúne em seus mais de 91 mil hectares um dos mais importantes exemplares do patrimônio pré-histórico do país. Em 1991, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) incluiu o parque na lista do Patrimônio Mundial, principalmente devido à importância dos registros rupestres encontrados no local. A administração do local cabe ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham) .

“O parque é um parque nacional, quer dizer, é obrigação do governo federal mantê-lo”, diz Niède. “Não tem dinheiro, o problema é esse, o governo está completamente sem dinheiro”. Segundo ela, a Fumdham, que tinha 270 funcionários, hoje tem 30. Das 28 guaritas de proteção do parque, somente seis têm profissionais.

Niède, diz que a fundação não conta hoje com repasses permanentes. O problema do financiamento começou entre 2012 e 2013. “Para mantermos o parque como o mantivemos até 2012, precisaríamos de R$ 400 mil por mês. Do jeito que está hoje, precisaríamos de R$ 100 mil. O que acontece é que a gente não sabe da onde vamos conseguir dinheiro”. A Fumdham receberá, de acordo com ela, recursos suficientes para se manter até o final do ano da Petrobrás. “Nós já assinamos. Mas esse dinheiro só vai ser liberado depois de agosto. A partir de julho não temos mais recursos”.

A pesquisadora doutorou-se em arqueologia pré-histórica pela Sorbonne. Desde 1973 integra a Missão Arqueológica Franco-Brasileira, concentrando no Piauí seus trabalhos, que culminaram na criação do Parque Nacional Serra da Capivara. Ao falar do aproveitamento do lugar, indigna-se: “Temos patrimônios na África, com milhões de turistas, com hotéis de cinco, seis estrelas, ganhando dinheiro com isso e, aqui, não”.

Falta de verba

Parque Nacional da Serra da Capivara foi criado em 1979 e tem mais de 91 mil hectares
 (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

“O parque está com uma série de possibilidade de cortes e ajustes em função do orçamento, mas está mantendo a gestão”, diz o coordenador em exercício da Regional 5 do ICMBio, unidade responsável pelo local, Daniel Castro. Segundo ele, a falta de recursos atinge principalmente a Fumdham, que não recebe repasses da instituição desde o ano passado. Não há riscos, no entanto, do fechamento da unidade.

Castro explica que uma emenda parlamentar autorizou o repasse de R$ 300 mil para a Fumdham. “Desde o ano passado está tentando implementar, mas o governo não libera. Está no Orçamento, mas não libera o financeiro”. O problema da falta de recursos atinge também os demais parques nacionais, de acordo com Castro.

Em nota, o Escritório da Unesco no Brasil diz que vem trabalhando, junto ao Governo Federal e à Fumdham, “buscando minimizar os efeitos da diminuição de recursos destinados ao Parque Nacional da Serra da Capivara”.

De acordo com a organização, todos os parceiros estão decididos “a procurar soluções sustentáveis, a partir da rápida reformulação do modelo de gestão existente. O Governo Federal, tanto por meio do ICMBio quanto por meio do Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional], está mobilizado para resolver a situação, mesmo diante das atuais limitações orçamentárias”.

Justiça

A administração do parque cabe ao ICMBio e à Fumdham (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O caso corre também na Justiça. A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Piauí (OAB-PI) propôs Ação Civil Pública objetivando a concessão de liminar para “assegurar bloqueio de recursos financeiros na ordem de R$4.493.145,00 da Câmera de Compensação Ambiental e sua liberação para a Fumdham, a fim de que esta proceda à manutenção e preservação do Parque Nacional Serra da Capivara”.

A Justiça Federal no Piauí decidiu pelo bloqueio de R$ 3,8 milhões em 24 de fevereiro. Nessa semana foi agendada uma audiência pública, no dia 31 de maio, para decidir sobre a destinação dessa verba. A Justiça Federal também determinou ao ICMBio que apresente o cumprimento da decisão referente ao plano de manejo do parque, sob pena de adoção de sanções previstas em Lei.

O ICMBio diz que vai recorrer da decisão por haver no processo, entre outras questões, confusão nas competências de cada um dos órgãos e entidades citados. Quanto ao plano de manejo, o ICMBio diz que ele precisa se adequar em relação ao tamanho do território que abrange, mas que está avançado.

Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil

terça-feira, 19 de abril de 2016

Línguas indígenas podem desaparecer, alerta antropóloga da UFRJ


O Brasil corre o risco de perder um de seus grandes tesouros culturais, as línguas indígenas, se não forem tomadas medidas de preservação desses idiomas ancestrais. O alerta é da antropóloga e linguista Bruna Franchetto, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela falou sobre o assunto nesta terça-feira (19), quando é comemorado o Dia do Índio, em palestra no Museu do Amanhã, no centro do Rio.

“Estamos lutando conta a perda da diversidade linguística no Brasil, representada pelas mais de 150 línguas indígenas que ainda são faladas, e contra o enfraquecimento e o empobrecimento dessa diversidade. Calcula-se que, desde o momento da conquista, há mais de 500 anos, até os dias de hoje, houve uma perda superior a 80% da diversidade cultural, étnica e linguística nativa”, disse Bruna.

Diversidade

Segundo ela, há no Brasil línguas que pertencem a 40 famílias distintas, que se organizam, não todas elas, em troncos principais, o Gê e o Tupi. Além disso, têm mais 10 línguas isoladas, que não pertencem a nenhuma família. “É uma diversidade incrível. Preservar e lutar por sua sobrevivência é fundamental. Cada língua carrega um universo de conhecimentos, tradições, artes e beleza estética. Cada velho índio que morre é como se queimasse uma biblioteca.”

Bruna esclareceu que a perda linguística deveu-se ao genocídio e à extinção de povos inteiros, desde a época da conquista. “Hoje ainda há genocídio de populações indígenas, com a morte física de falantes, causado pelas armas, invasão de territórios, invasão das áreas, dispersão de populações e doenças trazidas pelos colonizadores.”

Além disso, segundo ela, a assimilação cultural violenta também se encarrega de fazer desaparecer as línguas ancestrais. “Há uma cultura homogênea chamada de nacional e isso causou o empobrecimento cultural e linguístico do Brasil indígena. Isso se deu através das escolas, dos missionários, da catequização e da própria mídia.”

A linguista acredita que há medidas possíveis para frear o processo e garantir a preservação desses idiomas. “Estamos fazendo, timidamente, de modo muito incipiente. São pesquisas realizadas nas universidades, em centros de pesquisas. O número de linguistas que se dedicam ao estudo e documentação dessas línguas ainda é muito pequeno. Nós temos dois grandes centros de documentação, que é o Museu do Índio, no Rio de Janeiro, e o Museu Emílio Goeldi, no Pará.”

Outro assunto que ela considera essencial é melhorar a formação dos professores indígenas, responsáveis pela manutenção da língua diretamente nas aldeias. “É uma formação ainda muito precária. Uma corrida contra o tempo. Estamos remando contra a maré.”

Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil
Edição: Armando Cardoso

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Câmara dos Deputados se prepara para votação de impeachment 24 anos pós-Collor


A Câmara dos Deputados se prepara, 24 anos depois, para, mais uma vez, decidir se autoriza ou não a abertura de processo de impeachment contra um presidente da República, no caso, contra a presidente Dilma Rousseff.


Em 1992, 441 deputados votaram sim e autorizaram o Senado a abrir processo contra o então presidente Fernando Collor. Só 38 votaram não. O que aconteceu em seguida entrou para os livros de história.

Depois da autorização da Câmara, o Senado abriu o processo e Collor foi afastado da presidência.

O afastamento era provisório, mas virou definitivo quando o próprio Senado, em uma sessão presidida pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Sidney Sanches, condenou o presidente, três meses depois.

Mas quais são as semelhanças e diferenças entre os dois casos? Dois cientistas políticos e um dos protagonistas daquela votação, o então presidente da Câmara Ibsen Pinheiro, comparam os dois processos.

Para o cientista político Flávio Testa os dois pedidos de abertura de processo tem pontos em comum. "O impeachment tem que ter um fundamento jurídico e uma boa cobertura política. Essa cobertura política está vinculada à pressão da população. E, claro, daquilo que a mídia faz para disseminar essa discussão. Então eu acho que nesse aspecto os dois são parecidos."

Acusações distintas
As acusações contra os dois presidentes, porém, são bem diferentes. Collor foi acusado por uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) de ter usado, em proveito próprio, mais de 6 milhões de dólares de um esquema de captação ilegal de dinheiro coordenado por seu ex-tesoureiro de campanha Paulo César Farias. Dilma Rousseff é acusada de ter autorizado manobras orçamentárias sem autorização do Congresso, as chamadas pedaladas fiscais.

O cientista político David Fleischer aponta outra diferença entre os dois casos: a reação dos dois presidentes ao processo. "Collor não fez a mesma contestação do impeachment que a presidente Dilma está falando, de que é golpe, que está ferindo a democracia, etc. Collor não fez nada disso porque acreditava fielmente que seria absolvido."

Vice-presidentes
Afastado, Collor acabou sendo sucedido por seu vice, Itamar Franco. As atuações de Itamar e do atual vice-presidente, Michel Temer, durante o processo também são bem diferentes, como aponta Ibsen Pinheiro.

"Itamar ficou absolutamente inerte, calado e quieto, até porque não houve uma polarização naquele processo, à medida que ele se desenvolveu. Naquele processo, de um lado, ficou todo o sentimento popular. De outro, o presidente Collor."

Apoio político
Outro fator que torna diferentes as situações de Dilma Rousseff e Fernando Collor é o apoio político durante o processo. Flávio Testa lembra que Collor não tinha base de sustentação no Congresso.

"Ele foi abandonado porque a sua base se dissolveu, as forças econômicas que deram suporte à sua chegada ao poder o abandonaram e ele foi literalmente rifado desse processo. É bem diferente do que acontece hoje. Há uma divisão grande, o governo tem uma boa base parlamentar ainda, há muitos interesses em jogo, mas a capacidade de sustentação ainda é significativa."

Internet e economia
Outros fatores tornam os dois processos muito diferentes. Segundo David Fleischer, a mobilização popular hoje é muito maior que a de 1992. "Hoje tem internet. Naquela época não tinha. Então, com seu laptop você mobiliza. Naquela época não tinha isso."

Além disso, a situação econômica também é distinta. Para Flávio Testa, apesar de o período Collor também ter sido marcado por uma crise econômica, a percepção da população hoje é de que a situação é pior.

"O governo Collor vem logo depois do regime militar, do governo Sarney, que teve muitas dificuldades. O governo Dilma passou por uma fase muito interessante. Nos dois mandatos do governo Lula a economia cresceu, aumentou a satisfação das categorias mais pobres e agora há uma insatisfação generalizada. E isso, evidentemente, vai impactar o comportamento dos parlamentares, principalmente porque nós teremos eleições em outubro", lembra cientista político.

Reta final
Em setembro de 1992, nos dias que antecederam a votação na Câmara, Collor começou a perder aliados que considerava fiéis. Ibsen Pinheiro lembra que eles mudaram de voto assim que seus adversários estaduais começaram a anunciar publicamente ser contra o presidente.

"Ninguém imaginava antes que passaria por 441 contra 38. Isso foi produto de uma profunda alteração na reta final do processo de impeachment."

Para David Fleisher, a eleição deste ano e a reação dos eleitores ao impeachment podem ser decisivos. "Mostra a máxima do deputado, tanto em 92 como agora, em 2016. Isto vai me ajudar a reeleger? Se eu votar a favor da Dilma meus adversários no meu estado vão cair em cima de mim por causa disso, em 2018 ou não."

Seja qual for o resultado da votação, Ibsen Pinheiro, que presidiu o processo contra Collor, alerta para o que pode acontecer no dia seguinte. Segundo ele, hoje existem mais perguntas do que em 1992.

"Antes todos sentíamos: afasta o Collor, tudo se normaliza. Agora, a questão tem que ter mais clareza. Afasta a presidente Dilma para que políticas? Para que caminho? Acho que isso está claro dos dois lados."

A sessão em que a Câmara vai decidir se autoriza ou não a abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff começa nesta sexta-feira e a previsão é de que termine somente no domingo à noite.

Reportagem - Antonio Vital
Edição – Natalia Doederlein

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Ipac disponibiliza livros sobre patrimônio no Pelourinho


As publicações sobre os bens culturais baianos – materiais e imateriais – produzidas pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), da Secretaria de Cultura (Secult), estão disponíveis em endereço fixo. São coleções de livros, cadernos e apostilas que podem ser obtidas na Coordenação de Articulação e Difusão (Coad) da diretoria de Preservação (Dipat) do Ipac. O setor está instalado em um prédio colonial na Rua Gregório de Mattos, nº 29, no Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador. O imóvel já sediou o Ipac e o Colégio Estadual Azevedo Fernandes

De acordo com o diretor-geral do Ipac, João Carlos de Oliveira, as publicações são procuradas geralmente por estudantes e pesquisadores locais, nacionais e estrangeiros, além de turistas e baianos que desejam conhecer os bens culturais. “Esses livros são facilitadores na divulgação e preservação dos patrimônios”, diz João Carlos.

Segundo ele, alguns se baseiam nos dossiês de pesquisa do Ipac que possibilitaram a proteção oficial do Estado. “Ainda neste primeiro semestre, lançaremos a ‘Revista do Ipac’, que trará artigos e trabalhos mais extensos e reflexões mais profundas acerca do patrimônio cultural”, afirmou o diretor-geral.

Títulos

Da série ‘Cadernos do Ipac’ foram lançados os títulos 'Pano da Costa', 'Festa da Boa Morte', 'Carnaval de Maragojipe', 'Desfile de Afoxés', 'Festa de Santa Bárbara', 'Ofício de Vaqueiros', 'Festa do Bembé', 'Terreiros de Candomblé de Cachoeira e São Félix' e 'Conjunto Escola Parque'. O acesso virtual é feito através deste link ou no site do Ipac, na seção ‘downloads’, localizada na parte superior da primeira página e, depois, na aba ‘publicações’.

Segundo a diretora da Dipat, Nara Gomes, o Ipac já lançou a coleção ‘Conversando sobre Patrimônio’ com os títulos ‘Patrimônio Afro-brasileiro, ‘Patrimônio e Festas’, ‘Patrimônio do 2 de Julho’, ‘Sistema Estadual de Patrimônio’ e ‘Circuitos Arqueológicos’. A Coad funciona de segunda a sexta-feira, das 8 às 12h e das 13 às 17h.

Fotografias – digitais e analógicas –, mapas, plantas de imóveis, projetos de restauração, dossiês de pesquisas, estudos, livros e documentos técnicos produzidos ao longo de quatro décadas pelo Ipac também fazem parte do acervo da Coad. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (71) 3116-6945 ou e-mail coad.ipac@ipac.ba.gov.br.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Pesquisa seleciona farinha de copioba da Bahia preferida pelo consumidor


Ser fina, crocante, levemente amarelada e de sabor diferenciado, agradável ao paladar. Os apreciadores de farinha de mandioca logo associam esses atributos à copioba, um tipo de farinha que no seu processamento carrega um “saber fazer”, que confere ao produto características sensoriais especiais. Para validar esse processo artesanal, realizado por agricultores familiares do Recôncavo Baiano, foi utilizada análise sensorial no âmbito do projeto Agregarte, liderado pela Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), em parceria com a Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) e Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Tradicionalmente, a farinha de mandioca do tipo copioba era produzida em pequena escala num processo de torração manual e em forno de cerâmica, que levava mais tempo. Atualmente, essa forma de produzir foi adaptada ao processamento em forno metálico com mexedor motorizado. Esse modo de produção confere coloração, sabor e crocância peculiares à farinha. Por essa razão, atualmente o seu preço chega a ser quase o dobro de uma farinha comum. “O maior diferencial da farinha de mandioca do tipo copioba é o seu aspecto crocante, decorrente da baixa umidade entre 1 a 2%. A farinha comum chega a 12% de umidade”, conta Joselito Motta, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura. Os estudos de análise sensorial indicam que a crocância é um dos principais atributos de textura que afetam positivamente a aceitação do alimento. A textura é percebida como uma combinação de sensações visuais, táteis e auditivas (o “croc croc”).

A análise sensorial, coordenada pela Embrapa Agroindústria de Alimentos e realizada na Embrapa Mandioca e Fruticultura no município baiano de Cruz das Almas reuniu mais de cem consumidores regulares de farinha de mandioca, que avaliaram características sensoriais de dez amostras provenientes de diferentes regiões do Recôncavo Baiano, possibilitando identificar aquelas positivas e negativas do ponto de vista do consumidor. Aspecto fino, de cor amarela clara, crocante, uniforme e agradável ao paladar foram eleitos como os atributos que lideraram a preferência das farinhas de mandioca do tipo copioba analisadas; enquanto ser grudenta, grossa e com gosto amargo foram atributos rejeitados pelos consumidores. Contudo, as farinhas de mandiocas do tipo copioba produzidas em forno mecânico tiveram a preferência do consumidor em detrimento daquelas do forno de cerâmica tradicional. “Isso indica que os torradores experientes da região conseguiram adaptar o processo à modernização produtiva sem prejudicar as características sensoriais de valoração do produto, mantendo os aspectos de cor e textura apreciados pelos consumidores e que lhe deram fama”, afirma Rodrigos Paranhos, pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos e líder do Projeto Agregarte, que busca agregar valor aos produtos alimentícios tradicionais de reconhecida qualidade sensorial e valor histórico-cultural.

A cor da farinha de copioba, levemente amarelada, também atrai o consumidor. “A aparência é uma das primeiras características sensoriais dos alimentos que podem favorecer ou prejudicar a aceitação pelo consumidor”, diz Rosires Deliza, responsável pelo Laboratório de Análise Sensorial e Instrumental da Embrapa Agroindústria de Alimentos. Na região, para produção da farinha de copioba são utilizadas variedades de mandioca bravas e mansas de polpa branca. Entretanto, a etapa de torração artesanal promove uma alteração na cor do produto, tornando-o levemente amarelado. “Para tornar a farinha assemelhada à do tipo copioba tem sido comum entre alguns produtores a adição de corantes natural (cúrcuma e urucum) e artificial (tartrazina), este proibido pela legislação”, comenta Joselito Motta, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura.

Produção de farinha de mandioca 

Desde o início do século XIX, a região do Recôncavo Baiano é importante produtora de farinha de mandioca. Nesse período, Nazaré ficou conhecida como “Nazaré das Farinhas”, devido à qualidade de sua farinha e a ser o local de escoamento desse produto, em função do porto e ferrovia que existiam na cidade. Entretanto, a equipe do projeto só constatou registros da associação do nome copioba a esse produto em um jornal baiano de 1930. O Rio Jaguaripe é o que melhor demarca a localidade denominada como Copioba. Dessa região, que está delimitada pela margem esquerda do Rio, fazem parte atualmente os municípios de Nazaré, Muniz Ferreira, São Felipe e Maragogipe. A notoriedade da farinha de copioba nasceu nessa região e hoje está espalhada por todo o Recôncavo tendo como principal centro produtor e distribuidor o Município de Santo Antônio de Jesus. Desde o início de sua fama, a farinha de copioba é vendida a um valor cerca de 50% maior do que o da farinha de mandioca comum.

No Centro-Sul do País, o processamento da mandioca para a produção de farinha acontece em agroindústrias com estruturas para produção em médias e grandes escalas. Nos estados do Norte e Nordeste, a produção ocorre predominantemente nas chamadas “casas de farinha”, estruturas produtivas simples baseadas na mão de obra familiar. São nessas “casas de farinha” que são produzidas as farinhas de copioba.

Perfil agroindustrial para casas de farinha

Atualmente, a equipe do projeto Agregarte trabalha na elaboração de uma recomendação de perfil agroindustrial para a implantação de casas de farinha de copioba, seguindo as Boas Práticas de Fabricação (BPFs) e mantendo o “saber fazer” que caracteriza e valoriza o produto. Trata-se de uma referência a ser adaptada à realidade de cada produtor para projetos individuais ou coletivos. “O perfil agroindustrial é um conjunto de recomendações detalhadas de construção civil e de equipamentos, que atendem aos aspectos sanitários da legislação atual e garantem a segurança do alimento. Ele busca estabelecer ajustes nos processos de produção e sua estrutura agroindustrial, respeitando ao máximo a história da produção artesanal para os produtos com características diferenciadas do ‘saber fazer’, como é o caso da farinha de copioba”, afirma André Bonnet, pesquisador da Embrapa, atualmente na Divisão de Políticas, Produção e Desenvolvimento Agropecuário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em São Paulo.

Entre 2012 e 2015, os pesquisadores da Embrapa percorreram 12 municípios do Recôncavo Baiano e visitaram 27 produtores de farinha de mandioca copioba. “Nas casas de farinha, observamos que a etapa de recepção, seleção de raízes e descascamento da mandioca, conhecida como “raspagem”, normalmente é exercida por mulheres com relação de parentesco ou vizinhança que conversam e dividem tarefas, muitas vezes na forma de mutirão, ou troca de dias, já que as estruturas são compartilhadas muitas vezes por mais de uma família. “As recomendações contidas no perfil agroindustrial devem contemplar esses arranjos organizacionais permitindo a manutenção das características culturais locais”, afirma Rodrigo Paranhos, pesquisador da Embrapa. As visitas realizadas revelaram também que os fornos de cerâmicas coexistem com os fornos mecanizados nas propriedades familiares. Alguns agricultores ainda produzem a farinha de forma artesanal; enquanto os mais novos já estão migrando para o forno mecânico, que exige menor esforço e mão de obra. “A autêntica farinha de copioba artesanal pode continuar a ser produzida como uma farinha premium em forno de cerâmica ao lado da produção em escala maior do forno mecânico com as mesmas características sensoriais apreciadas pelos consumidores. Vamos prever essa possibilidade nos perfis, agregando um potencial turístico aos empreendimentos”, informa Rodrigo Paranhos.

Desenvolvimento social no meio rural e agregação de valor ao produto pela Indicação Geográfica (IG)

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social, a região do Recôncavo Baiano engloba municípios com populações que sofrem com pobreza extrema e dependem de recursos de programas sociais e de distribuição de renda para sobreviver. A cadeia produtiva da farinha de mandioca inclui milhares de pessoas, sobretudo agricultores familiares, revelando a importância econômica e social da atividade para a geração emprego e renda, destacadamente para as famílias menos favorecidas. “O País conseguiu avançar nos últimos anos no desenvolvimento social de sua população com significativa diminuição da pobreza, entretanto, no meio rural persistem altos índices de exclusão social. As estratégias para o desenvolvimento da agricultura familiar são fundamentais nesse segmento e a agregação de valor aos produtos tradicionais é uma das mais promissoras para essa população”, afirma Rodrigo Paranhos, pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos.

Uma das ações coletivas a ser realizada para valorização da cadeia produtiva e contribuição para o aumento da qualidade de vida do homem no campo é a indicação geográfica da farinha de copioba produzida no Recôncavo Baiano. Desde 2012, a Embrapa e a Universidade Federal da Bahia, em conjunto com produtores das casas de farinha, estão trabalhando para investigar a especificidade da farinha de copioba. Os resultados deverão ser encaminhados para o Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) visando a obtenção do registro de Indicação de Procedência. Este registro é, basicamente, um direito de propriedade intelectual em âmbito coletivo, que atesta um produto como típico da região. Este documento permitirá a preservação das características sensoriais do produto, bem como sua reputação, além de valorizá-las junto aos consumidores. Dessa forma, o “selo” de qualidade adquirido poderá ser utilizado como estratégia para valorização do produto tradicional, e como consequência o aumento do valor agregado. “A indicação geográfica agrega valor econômico, concede reconhecimento social aos produtos agroindustriais e favorece a manutenção do homem no campo”. Segundo dados do Ministério da Agricultura, depois de receber a certificação há uma valorização média do produto em torno de 30%. “Mas há casos como o vinho dos Vale dos Vinhedos, por exemplo, em que as propriedades rurais tiveram uma valorização entre 200 e 500%, e um incremento inicial na economia local de cerca de 40%”, informa André Bonnet, do Ministério da Agricultura.

No caso da farinha de mandioca do tipo copioba ainda resta um grande desafio: organizar a produção e mobilizar os produtores em organizações sociais. “A maioria dos agricultores trabalha de forma isolada e não existe uma cultura associativista na região”, conta Rodrigo Paranhos, pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos. Políticas públicas de incentivo a esse produto tradicional e organização da sociedade civil para a requisição do registro são fundamentais.

Aline Bastos (MTB 31.779/RJ)
Embrapa Agroindústria de Alimentos
agroindustria-de-alimentos.imprensa@embrapa.br
Telefone: (21) 3622-9739

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Navio Maragogipe está afundando na Baía de Todos os Santos


História importante do transporte público da Bahia está indo pro fundo do mar

Por: Genildo Lawinscky (Agora na Bahia)

Várias toneladas de aço estão indo pro fundo do mar (Foto: Genildo Lawinscky)

O Navio Maragogipe que já foi o principal meio de transporte entre Salvador e o Recôncavo, está afundando na Baía de Todos os Santos. A embarcação, ancorada às margens de Aratu, virou e está com metade do casco encoberta pela água do mar.

O #AgonaNaBahia esteve no local onde está o Maragogipe e constatou que o casco está totalmente enferrujado, com muitas partes destruídas e enormes buracos por onde é possível ver o interior do navio. A operação para o aproveitamento, ainda como embarcação, parece inviável. Um funcionário de uma marina, vizinha de onde está o Maragogipe, disse que o fim previsto para o Maragogipe é a venda a um ferro velho. De fabricação alemã, o navio navegou por 35 anos, entre 1962 e 1997, na Baía de Todos os Santos. Antes das rodovias, a embarcação era vital para quem precisava locomover-se entre Salvador e as comunidades do Recôncavo, partindo de Maragogipe para Salvador, pela manhã, e retornando à tarde.

Com capacidade para 600 passageiros, o navio chegava a comportar o dobro disso na festa de São Bartolomeu, uma das mais tradicionais de Maragogipe. Alimentos e outras mercadorias também eram transportados por esse navio que cumpriu, assim, um papel importante para a economia regional. A embarcação possui 46,15 m de comprimento, calado de 2,35m e 364,7 toneladas de peso.

O Maragogipe está adernado para a esquerda. Ele não foi ao fundo pela pouca profundidade do local (Foto:Genildo Lawinscky) 

O navio havia sido doado à Prefeitura de Maragogipe em setembro de 2001, que anunciou a intenção de implantar um museu náutico, mas não levou o projeto adiante. O Termo de Reversão de Bens Móveis chegou a ser assinado, mas a seguir foi anulado pela prefeitura. É como se houvesse uma recusa à doação recebida.

A situação foi comunicada à Superintendência de Serviços Administrativos – SSA, da Secretaria da Administração (Saeb), através da Capitania dos Portos, e foram tomadas todas as providências necessárias para a retomada pelo Governo do Estado.

O navio Maragogipe foi levado a leilão e arrematado por um grupo de empresários, que pagou R$ 204 mil. O leilão foi promovido pela Secretaria da Administração do Estado e o ágio, na época, foi de 204,5% sobre o preço mínimo de R$ 67 mil. Na ocasião do leilão, foi anunciado de que o Maragogipe seria reformado para atividades turísticas.

O arrematante Jeová Ferreira, que representa um grupo de empresários baianos, chegou a dizer que o navio “poderá ser utilizado para transporte, para atividades de lazer ou como restaurante”. Reconheceu que a embarcação precisaria de uma ampla reforma, mas que a sua recuperação era viável. Outro atrativo para ter adquirido Maragogipe, segundo ele, era “o valor simbólico do navio”, que navegou por décadas na Baía de Todos os Santos, transportando passageiros e mercadorias entre Salvador e a cidade de Maragogipe. Ao longo dos anos, o Maragogipe sentiu os efeitos da falta de manutenção e acabou tendo o casco furado pela ferrugem.

Cracas - um tipo de crustáceo marinho - e a ferrugem, tomaram conta do casco do navio (Foto: Genildo Lawinscky)

Cemitério no mar

Além do Maragogipe, o #AgoraNaBahia constatou que nessa mesma área da Baía de Todos os Santos, existe um cemitério de embarcações que, conforme pescadores e outras pessoas que trabalham nas marinas e estaleiros de Aratu, são deixadas ali por falta de peças e outros equipamentos que permitam continuar navegando. Todas estão condenadas a ter o mesmo destino do Maragogipe.

Encontramos embarcações de todos os tamanhos nesse estado. Uma delas, com cerca de 30 pés de comprimento, está perto do canal de navegação das lanchas que entram e saem de uma marina.

Um velho basco de pesca está abandonado perto do canal de navegação, sem nenhuma sinalização (Foto: Genildo Lawinscky)

Bem pertinho desse ponto, três embarcações de grande porte chamam a atenção pelo estado em que se encontram. O ferry Ipuaçu, que há várias anos foi comprado pelo governo do estado por U$7 milhões de dólares, aguarda uma decisão sobre o seu futuro. Há dois anos, o governo chegou a planejar a reforma do Ipuaçu, que seria usado para o transporte de carros pesados entre Salvador e Itaparica, mas até agora nada foi feito.

Ferry Ipuaçu, também condenado a ir, em breve, pro fundo do mar (Foto: Genildo Lawinscky)

Perto dali, está o ferry Mont Serrat, que passou por um processo de canibalização – quando as peças e acessórios são usados para reparo de outro navio. O Ipuaçu e o Mont Serrat já integraram a frota de ferries que transportava passageiros entre os terminais de Salvador e de Itaparica.

Um cemitério de navios velhos e condenados, em um dos locais mais bonitos da Baía de Todos os Santos (Foto: Genildo Lawinscky)

Eles estão ao lado de dois outros navios que também parecem sofrer com a ação do salitre do mar: o Vitória Aparecida, que estaria sem condições de navegação depois de aguardar por alguns anos o desfecho de um processo na justiça e o Jataí. Sobre este último, o #AgoraNaBahia não conseguiu informações sobre o estado dele.

O ipuaçu e o Jataí, estão atracados juntos no estaleiro de Aratu (Foto: Genildo Lawinscky)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Morreu Jacques Le Goff, o historiador que nos explicou a invenção do Purgatório

Mudou a percepção que tínhamos da Idade Média e escreveu várias obras que se tornaram clássicos.



Por LUÍS MIGUEL QUEIRÓS e ISABEL SALEMA (Público.pt)

O historiador francês que revolucionou a historiografia moderna e reabilitou a imagem da Idade Média europeia, mostrando-a como um período bastante mais dinâmico do que o humanismo renascentista quis fazer crer, morreu nesta terça-feira em Paris, aos 90 anos, noticiou o jornal Le Monde.

Além de centenas de artigos, Jacques Le Goff tinha mais de 40 livros publicados, desde Os Intelectuais na Idade Média e Mercadores e Banqueiros na Idade Média, ambos de 1957 (as edições portuguesas são da Gradiva), até ao recente À la recherche du temps sacré, Jacques de Voragine et la Légende Dorée, de 2011.

Bernardo Vasconcelos e Sousa, autor da obra História de Portugal, juntamente com Rui Ramos e Nuno Monteiro, diz que Le Goff “é um dos historiadores mais importantes da segunda metade do século XX à escala mundial, sem dúvida e sem favor nenhum”. Com George Duby, outro grande historiador francês falecido em 1996, “mudou de forma radical e muito profunda a maneira de ver a Idade Média ocidental”.

O historiador francês pertencia à terceira geração de historiadores da escola dita dos Annales. A sua concepção de antropologia histórica e o seu interesse pela história da cultura e das mentalidades, de O Nascimento do Purgatório à monumental biografia do rei São Luís, distinguem-no dos modelos de interpretação social e económica de Fernand Braudel, representando um modo criativo de retomar o legado da revista fundada em 1929 por Marc Bloch e Lucien Febvre.

Sucessor de Braudel na direcção da École des Hautes Études en Sciences Sociales, publica em 1964 A Civilização do Ocidente Medieval (edição portuguesa da Estampa), uma obra que toma como objecto de estudo um vasto âmbito geográfico e um período de tempo longo e nos dá, diz Bernardo Vasconcelos e Sousa, uma nova Idade Média “combatendo quer a visão negra de uma Idade Média de ‘feios, porcos e maus’, que ainda hoje tem uma representação no discurso político ou jornalístico, quer uma imagem dourada e cor-de-rosa”, alimentada pelo romantismo. Na Idade Média que construiu, juntamente com a sua geração, “estudam-se as estruturas, as mentalidades, os valores, as representações do quotidiano”.

Se tivesse de escolher uma obra para um leitor leigo, Vasconcelos e Sousa destacaria A Civilização do Ocidente Medieval, “um livro de carácter científico que se lê como um bom romance”, um manual de história geral onde Le Goff defende a existência “de uma civilização do Ocidente medieval”, uma civilização que sucede à Antiguidade Greco-Romana e antecede o mundo moderno.

O historiador da Universidade Nova de Lisboa cita também O Nascimento do Purgatório (a obra que o próprio Le Goff preferia entre as outras) como “um livro magistral”, onde se analisa a criação, a invenção, do Purgatório, sobretudo a partir do século XII, como lugar intermédio entre o Céu e o Inferno: “Mesmo que não se esteja em condições de aceder de imediato à harmonia celestial, há uma lugar intermédio, de esperança, que possibilita que se venha a aceder ao Céu. É uma sociedade que se está a diversificar, a complexificar, e isso teve consequência na estruturação do pensamento e da devoção cristãos.”

Na obra Para Um Novo Conceito da Idade Média, onde junta vários pequenos estudos, Vasconcelos e Sousa destaca um intitulado “O tempo da Igreja e o tempo do mercador”, em que o historiador francês compara e contrapõe uma representação da vivência do tempo por parte da Igreja, de um tempo cíclico das horas litúrgicas, dos ciclos naturais, a um tempo quantificado dos mercadores, um tempo linear, um tempo que é dinheiro: “Esse tempo começa a fazer a sua afirmação a partir dos séculos XIII e XIV, passando pela sua materialização, quantificado já não pela sucessão das horas diárias, pelo bater do sino das igrejas, mas pelo relógio mecânico que começa a surgir precisamente nas cidades ao longo do século XIV.”

Na sua abordagem antropólogica, na sua ambição de abarcar o homem em todas as suas dimensões, Le Goff construiu uma história das mentalidades medievais em que mostrou como estavam então interligados domínios aparentemente tão distantes como a teologia ou o comércio.

Esta diversificação dos temas, que abriu muitas linhas de investigação, dá uma ideia, diz Vasconcelos e Sousa, “da revolução que houve nos estudos medievais, de que Le Goff e Duby foram mais directamente responsáveis”.

A nova história

Nos anos 1970, coordena duas obras colectivas de grande envergadura que se tornarão as referências teóricas da Nouvelle Histoire, a corrente historiográfica que funda com Pierre Nora, e que procurará levar mais longe a herança dos Annales: os três volumes de Fazer História (1974), e A Nova História, em colaboração com Jacques Revel (1978). A primeira foi traduzida pela Bertrand e a segunda pelas Edições 70.

Num artigo de 2010 que a edição online do jornal Le Nouvel Observateur recuperou a propósito da morte de Le Goff, André Burguière defende a tese de que, tal como os alemães têm de ter, em cada época, um grande filósofo, os franceses “querem ter um grande historiador que o mundo inteiro lhes inveje”. E acrescenta que desde a morte de Fernand Braudel esse historiador era Jacques Le Goff.

Burguière lembra que Le Goff sempre se reclamou da lição de Marc Bloch, co-fundador da revista Annales e pioneiro em contrapor à historiografia convencional do feudalismo uma abordagem sociológica. Mas as investigações de Bloch e dos seus discípulos focavam-se essencialmente na história rural e agrícola. Caberá a Le Goff propor uma história da cidade medieval, já anunciada nos títulos dos seus primeiros livros, que evocam, com um sabor deliberadamente anacrónico, os intelectuais e banqueiros da Idade Média. Le Goff, diz Burguière, “combate o lugar-comum que identifica a herança da Idade Média com o mundo rural”.

Quando recebeu, em 2004, o prestigiado prémio Dr. A. H. Heineken de História, atribuído pela Academia Real das Artes e Ciências dos Países Baixos, a declaração do júri dizia que Le Goff “mudou a nossa percepção da Idade Média”.

Le Goff punha mesmo em causa as cronologias tradicionais, defendendo que a Idade Média correspondia a todo o período durante o qual a Igreja e a respectiva doutrina tinham sido consideradas como a fonte da verdade, um estado de coisas que só teria verdadeiramente sido posto em causa, na esfera económica, com a revolução industrial iniciada em Inglaterra em meados do século XVIII, e também, na ordem das mentalidades, com a Revolução Francesa. Ou seja, teríamos uma Idade Média que se estenderia até à primeira metade do século XVIII e que, desde o século IV, teria tido, diz Le Goff numa entrevista ao mesmo André Burguière, “várias fases de progresso que se podem qualificar como renascenças”, do desenvolvimento das cidades à criação das universidades. Le Goff crê ainda que uma das mais fundas dívidas do sujeito moderno ao cristianismo medieval é o reconhecimento da “noção de interioridade”, que este favoreceu.

De Ivanhoe aos Annales

Filho de um professor de inglês, Jacques Le Goff nasceu no dia 1 de Janeiro de 1924 em Toulon, no Sul de França, onde fez os estudos liceais e teve como professor o historiador Henri Michel, que depois se tornaria um especialista na história da Segunda Guerra. Le Goff referir-se-ia sempre com veneração a Henri Michel, cujo magistério terá contribuído para que se tornasse historiador.

Mas Toulon, dirá mais tarde Le Goff, era uma cidade profundamente racista, e o estudante ficou satisfeito quando teve de se mudar para a mais cosmopolita Marselha, com o seu porto de mar e a sua população multiétnica. Frequenta em Marselha os estudos preparatórios de acesso ao ensino superior, mas vai pouco às aulas. Convocado para o “serviço de trabalho obrigatório”, vulgo STO, imposto pela Alemanha nazi ao Governo de Vichy, foge e junta-se à Resistência. Leitor compulsivo e omnívoro, devora os romances históricos de Walter Scott, como Ivanhoe, cuja influência na sua decisão de se tornar medievalista ele próprio não descartará.

No pós-guerra, estuda literatura, mas acabará por se licenciar em História. Em 1947, prossegue os seus estudos na Universidade de Praga. Da invasão soviética que porá fim, em 1968, à Primavera de Praga, dirá depois Le Goff que foi a “vacina” que o imunizou definitivamente contra o comunismo. Concluídas as provas de agregação em 1950, torna-se professor e começa por dar aulas num liceu de Amiens, vai depois para a Universidade de Oxford como bolseiro, e em 1954 assume funções docentes na Universidade de Lille. Em 1958 conhece o historiador Maurice Lombard, especialista no islão medieval, um encontro que se revelará decisivo. Le Goff dirá sempre que foi com Lombard que mais aprendeu, e foi também ele que o apresentou a Braudel, que após ter lido as primeiras obras do jovem historiador lhe arranja um lugar de assistente na prestigiada VI Secção (ciências económicas e sociais) da École Pratique d’Hautes Études, que então dirigia.

Em 1969, Le Goff torna-se co-director da revista Annales e, em 1972, sucede a Braudel na presidência da VI Secção da École Pratique d’Hautes Études.

Grande comunicador, estreia-se em 1968 no programa radiofónico Les Lundis de l’Histoire, que ainda hoje é emitido pela France Culture, e com o qual Le Goff colaborou até ao final da vida.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Cultura e Gastronomia Brasileira é tema da Feira de Conhecimentos do CESF



Amanhã, dia 26 de setembro, acontecerá a Feira de Conhecimentos no Centro Educacional "Simões Filho" que discutirá sobre a cultura e a gastronomia brasileira em todos os sentidos. 

Os estudantes prepararam seus stands como muito zelo e dedicação e aguardam ansiosamente pelos visitantes.

Como degustação, postamos um aperitivo do que está esperando por você:
STAND MARAGOGIPE (Alunos do 1º ao 5º ano)
STAND REGIÃO CENTRO OESTE (Alunos do 6º ano)
STAND REGIÃO NORDESTE (Alunos do 7º ano)
STAND REGIÃO SUDESTE (Alunos do 8º ano)
STAND REGIÃO NORTE (Alunos do 9º ano)
STAND REGIÃO SUL (Alunos do 1º e 2º EM)
STAND INFLUÊNCIAS ESTRANGEIRAS (Alunos do 3º ano)

Confira a programação:
Manhã
08h - Hasteamento da Bandeira e Apresentação da FANCESF
10h - Apresentação dos Stands

Tarde:
14h - Apresentação dos Stands

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Festa e Comida é o tema do VI Congresso de História

Mascarados de Maragojipe, uma das manifestações a serem discutidas no congresso Foto: Rita Barreto/ Bahiatursa  
Termina dia 20, sábado, o prazo para se inscrever no VI Congresso de História da Bahia, a ser realizado em Salvador de 22 a 24 de setembro, no Bahia Othon Palace. O encontro, que reúne pesquisadores nacionais e estrangeiros e tem o apoio da Bahiatursa, faz parte das comemorações dos 120 anos de fundação do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB). O tema é Festa e Comida.

Estão sendo esperadas milhares de pessoas, dentre elas, professores, pesquisadores, estudantes, profissionais do setor de gastronomia e outros interessados no assunto. Entre os convidados estão à pesquisadora goesa Maria de Lourdes Bravo da Costa, que vai tratar do tema Descobrimentos portugueses e a sua influência na comida goesa, e o professor congolês Kazadi Mukuna, que falará sobre A origem africana do samba: mito ou realidade?Salva

Nas comissões específicas serão debatidos assuntos relacionados às festas de São Nicodemos, São Sebastião, Nossa Senhora do Rosário, de Santana e Santa Bárbara. Também os mascarados de Maragogipe, a festa dos vaqueiros de Curaçá, da Irmandade da Boa Morte, o Carnaval da Bahia, além dos festejos de futebol, ligados às celebrações das torcidas do Bahia e do Vitória.

Mitos da cozinha afro-brasileira, a feijoada, o pãozinho delícia, a culinária sertaneja, do garimpo, de santo e dos índios e o acarajé serão discutidos no conclave. O evento conta com o apoio do Governo do Estado através das Secretarias do Turismo/Bahiatursa, de Desenvolvimento, da Cultura e Irdeb, além da Prefeitura de Salvador, UCSaL e Rádio Metrópole. Será presidido pela historiadora Consuelo Pondé de Sena e coordenado pela professora Maria Helena Flexor.

Durante o encontro, serão discutidos temas sobre festas e comidas típicas da Bahia e dos países que tiveram contatos com os portugueses, com o objetivo de resgatar essas tradicionais manifestações cultuais. As inscrições podem ser feitas através do site www.ighb.org.br. Outras informações através do tel: (071) 3329/4463 e e-mail: ighbahia@gmail.com.

Fonte: Bahiatursa